| A problemática do lixo está intimamente ligada ao modelo de produção da sociedade moderna, que nos incentiva a consumir e consumir sempre e mais.
Assunto do dia-a-dia. Começa na casa, trabalho, escola, lazer e entretenimento. Está em todo lugar. Desde o momento que acordamos até quando deitamos, produzimos lixo. Somos o bicho do lixo, nenhum outro o produz com tanta voracidade – até parece que é extensão humana. Por isso é um tema recorrente.
Os estudiosos o chamam de “resíduo”, seja sólido, liquido ou gasoso. Também o denominamos: público, doméstico, industrial, proveniente dos serviços de saúde, podas das árvores, limpeza urbana, das salas comerciais, restos de tudo que produzimos etc. É popularmente conhecido simplesmente como lixo.
Algumas prefeituras no Brasil – a competência por este serviço é do município - vêm tentando programar a coleta seletiva nos seus bairros. Não é uma tarefa fácil. Pois, a população não está sensibilizada adequadamente e não se sente parte de uma rede maior, onde o lixo é uma das partes desta conexão.
Somos deficientes de uma formação cidadã, onde a comunicação do interesse público é prisioneira dos interesses das empresas e indústrias que “promovem o desenvolvimento”.
A problemática do lixo está intimamente ligada ao modelo de produção da sociedade moderna, hoje estruturada em escala global. Este modelo nos incentiva a consumir e consumir sempre e mais. Aqueles que têm maior poder de compra estão sempre consumindo mais ao renovar o guarda roupa, o meio de transporte, utensílios, móveis e penduricalhos/bugigangas que levamos diariamente para dentro de casa, apenas para satisfazer desejos e não necessidades - este é outro debate.
Em Goiânia, a prefeitura vem tentando programar a coleta seletiva na capital. Iniciativa louvável que merece a colaboração de cada habitante. Além de 140 pontos para entrega voluntária distribuídos pela cidade, a Companhia Municipal de Urbanização passa uma vez por semana em todos os bairros da capital.
Não é de hoje que administradores labutam com esta política pública. É uma iniciativa louvável e devemos colaborar. Mas, nosso maior esforço deve residir sobre como evitá-lo. Pois, se evitamos, não o geramos. Logo, não necessitaremos reciclá-lo ou descartá-lo. Mas, nosso atual modo de vida não tem esta lógica. Ao contrário, está estruturado para a produção de um enorme amontoado de lixo. Nunca produzimos tanto quanto no século XX.
Como evitar o lixo, seja ele qual for, é a pergunta diária que deveremos nos colocar. Este é um dos principais desafios do próximo século e milênio, que já começou há dez anos e ainda não vemos sinais evidentes que optamos por esta escolha.
É um tema integrado aos outros que faz parte de uma rede.
É incrível, mas, se não estamos preparados para enfrentar a mudança da atual matriz energética (energia renováveis por base fóssil) que foi o principal debate do final do século passado e que ganhou visibilidade mundial, oxalá o pobre lixo.
Então, como evitar o lixo do dia à noite? Viver de maneira mais simples e cooperativa pode ser um bom começo!
Paulo Souza – presidente do PV em Goiás e candidato a deputado estadual
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